Posted on: abril 8, 2020 Posted by: Samira Comments: 0
samira oliveira - london londres metro map paris

Este artigo é uma tradução. Clique aqui para ler o original em Francês. Créditos: Grapheíne.

  • L’article suivant est une traduction au Portugais Brésilien. L’article original a été écrit par Grapheíne, vous pouvez l’accéder en cliquant sur ce lien.

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O design de um mapa de metrô está longe de ser algo simples. Verdadeiro quebra-cabeça, esse tipo de projeto dá trabalho aos urbanistas há mais de um século. Nesse artigo você encontrará um resumo da evolução do mapa do metrô de Paris e arredores, no qual falaremos também de espaguete, cerveja e cidades futuristas.

De espaguete à 45°

Quando se trata de designers de mapas de metrô, Harry Beck é possivelmente o mais famoso de todos.

Desenhista industrial, Beck criou em 1933 um mapa para o metrô de Londres, com cores simplificadas e uniformização das distâncias entre estações, além de padronizar o grid com ângulos de 45º. Foi um sucesso imediato!

Para compreender melhor a situação é necessário observar o mapa do metrô de Londres em 1931, antes da intervenção de Beck – um mapa chamado de “prato de espaguete“. Ele se assemelha muito aos antigos mapas de metrô franceses.

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Em seguida, o mesmo mapa “revisitado” por Beck em 1933, próximo àquilo que conhecemos hoje: organizado, limpo, preciso. Em suma, eficaz.

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Linhas retas, distâncias harmoniosas, ângulos à 45º, e acima de tudo uma redução no espaço entre as estações centrais e periféricas. Esse sistema, chamado “diagrama esquemático“, é de tal forma eficiente que foi adotado praticamente em todas as grandes cidades do mundo: Sydney, Munique, Tóquio, Nova Iorque, São Petesburgo, Osaka, Montréal… desde 1939. Mas uma cidade resistiu à inovação: Paris.

O emaranhado parisiense

Em 1930 o mapa do metrô parisiense era como a imagem seguinte. Um verdadeiro prato de espaguete colorido. Beck tentou por duas vezes esquematizar o mapa “ao molho de linhas direitas”; em vão.

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No final da segunda guerra mundial, Beck fez sua primeira proposta de uniformização do plano de metrô parisiense aos franceses, que a rejeitaram completamente. O emaranhado segue até que em 1955 Beck propõe uma segunda tentativa: nada. Os famosos ônibus londrinos de dois andares também tiveram sua entrada em Paris vetada. Parece que a moda Inglesa ia de mal a pior…

Veja a proposta de um mapa para o metrô de Paris feito por Beck em 1945 – e compare com a versão atual:

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Segunda proposta, feita em 1951:

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Podemos ver nas propostas de Beck os fundamentos de um mapa simplificado, mas seria necessário esperar algumas décadas para que Paris adotasse de vez o novo modelo (somente em 1999!)

Essas images da evolução do plano do metrô parisiense (1903, 1930, 1939, 1967, 1970, 2012, desde 2016- não oficial) mostram a passagem do então “prato de espaguete” ao diagrama esquemático.

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O mapa e o plano: um problema comum

Será que o engenheiro inglês estava à frente do tempo para os franceses? Não…  Mas os franceses são apegados ao seu mapa desde sempre. Os antigos planos da cidade, feitos em ilustração 3D por Turgot em 1739 (abaixo), serviriam de base aos planos de transporte da capital.

O mapa do metrô de Paris teve dupla função: mapa da cidade e de transportes. Não é o caso de outra cidades e é, portanto, um detalhe importante. Com saídas de metrô a cada 200 metros em média, fica difícil tentar simplificar os mapas e acabar por distorcer as distâncias entre duas estações, sobretudo quando se sabe que o tempo é algo precioso entre os parisienses.

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A cidade futurista

Em 1912, Maxwell Roberts propôs um mapa de metrô circular, dedicado a facilitar a compreensão e reduzir o tempo de leitura em até 50%. Mais uma vez, sem contar com a dupla função de plano de metrô/mapa da cidade. Abaixo, Londres, Nova Iorque, Paris.

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O resultado futurista traz à memória cidades futuristas e utópicas como EPCOT, a cidade ideal imaginada por Walt Disney. Abandonado, esse projeto tinha inspiração no ideal de vida americano e na combinação de trabalho, vida e diversão. Veja mais a partir dos 10 minutos desse vídeo. No centro; escritórios e comércio, rodeados por habitações de bom nível, parques e restaurantes. Dali, trens sairiam para habitações mais modestas na periferia.

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O plano do metrô de Paris por outro ângulo

Em 2016 o designer Constantine Konovalov, especializado em transportes (autor de um projeto de navegação para ciclistas, pedestres, transportes comuns e metrô de Moscou), propôs uma versão revisitada do mapa circular de Roberts.

Com base na geografia de muitas cidades do mundo, ele observou que geralmente os planos seguem uma versão simplificada das formas da cidade. Londres: formato de garrafa. Berlin: retângulo de cantos arredondados. Paris: circular.

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É necessário frisar que a representação circular de Paris não é de ontem (provavelmente por cause de sua forma geográfica). Em 1552, Truchait desenhou uma Paris oval cortada pelo rio Sena.

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Em 1930 um designer francês já havia tentado produzir um plano com formas arredondadas, também sem sucesso.

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Em 2016 o novo mapa de metrô circular proposto por Constantine Konovalov chamou atenção a tal ponto que ao buscar no Google “novo mapa de metrô Paris”, sua proposta aparece logo em primeira página. Um feito para uma versão não oficial. Konovalov colocou ao ar todo um site dedicado ao novo plano do metrô de Paris que engana qualquer turista!

A particularidade do trabalho de Konovalov é que ele seguiu um angulo de 30º sem utilizar qualquer vertical. Ele também propôs um grande trabalho de simplificação de maneira a facilitar a leitura da carta com a criação de pictogramas para monumentos e um tratamento particular para estações que conectam mais de uma linha.

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E, enfim, o resultado final!

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Depois de 2 anos e mais de 800 esquemas de pesquisa, ele detalhou seu processo gráfico em um artigo para Smashing Magazine e um mini-vídeo:

Tentáculos e cervejas

Em outro estilo, pode se encontrar desenhos de planos de metrô ao redor do mundo, feitos à mesma escala. É de se surpreender ao comparar o tamanho de Paris às grandes linhas de Shangai.

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Para terminar, uma dose de humor: a carta do metrô de Paris “Mister Good Beer” indica os preços das cervejas mais baratas por estações/linhas. Mapa esperto esse!

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Referências / Para saber mais:

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